{"id":68,"date":"2020-11-24T16:01:55","date_gmt":"2020-11-24T19:01:55","guid":{"rendered":"http:\/\/muitoalemdozap1.hospedagemdesites.ws\/?page_id=68"},"modified":"2021-04-01T17:48:47","modified_gmt":"2021-04-01T20:48:47","slug":"modulo-3","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/muitoalemdozap.com.br\/?page_id=68","title":{"rendered":"M\u00f3dulo 3"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row full_width=&#8221;stretch_row&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1607706246655{background-position: center !important;background-repeat: no-repeat !important;background-size: cover !important;}&#8221; el_id=&#8221;c1&#8243;][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;40px&#8221; el_class=&#8221;sumircel&#8221;][vc_tta_accordion active_section=&#8221;0&#8243; collapsible_all=&#8221;true&#8221;][vc_tta_section title=&#8221;Cap\u00edtulo 9 &#8211; Fake news: o que s\u00e3o e o que n\u00e3o s\u00e3o?&#8221; tab_id=&#8221;1606157880528-43be14ca-14d8&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<div style=\"width: 100%; padding: 20px; height: auto; background: #f4f4f4; margin-bottom: 20px;\">\n<p><em>Ivan Paganotti<\/em><\/p>\n<p><strong>Resumo em 5 pontos<\/strong><\/p>\n<p>1- Nos \u00faltimos anos, ficou evidente que \u00e9 necess\u00e1rio tomar cuidado com a qualidade da informa\u00e7\u00e3o que circula pelas redes sociais.<\/p>\n<p>2- Apesar de o termo \u201cfake news\u201d (\u201cnot\u00edcias falsas\u201d, em portugu\u00eas) ter se tornado bastante popular desde 2016, a divulga\u00e7\u00e3o de mentiras \u00e9 um fen\u00f4meno muito mais antigo e complexo.<\/p>\n<p>3- Muitos sentidos diferentes e at\u00e9 contradit\u00f3rios parecem ser usados para definir o que \u00e9 ou n\u00e3o \u00e9 not\u00edcia falsa. Atores pol\u00edticos se aproveitam da confus\u00e3o para tentar desacreditar cr\u00edticas como se fossem \u201cfake\u201d.<\/p>\n<p>4- Not\u00edcias falsas s\u00e3o informa\u00e7\u00f5es comprovadamente falsas que viralizam em rede sociais e se disfar\u00e7am de fontes com credibilidade para enganar.<\/p>\n<p>5- N\u00e3o podemos confundir \u201cfake news\u201d com erros da imprensa tradicional. Esses s\u00e3o problemas diferentes, que demandam solu\u00e7\u00f5es distintas tamb\u00e9m.<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"width: 600px !important; height: 400px !important;\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FQUa1bkJwDQ?controls=0\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>Identificar fontes de informa\u00e7\u00e3o de qualidade \u00e9 uma das habilidades mais importantes em tempos de tanta desinforma\u00e7\u00e3o. Separar o joio do trigo \u00e9 essencial para descartar boatos sem comprova\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es pertinentes e bem fundamentadas em fatos. Sem essa capacidade, podemos nos preocupar \u00e0 toa com hist\u00f3rias inventadas ou at\u00e9 mesmo tomar decis\u00f5es importantes baseadas em informa\u00e7\u00f5es incompletas ou incorretas.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, a internet parece ter sido invadida por \u201cfake news\u201d, termo que importamos do ingl\u00eas e que pode ser traduzido como \u201cnot\u00edcias falsas\u201d. Mas o que s\u00e3o as \u201cfake news\u201d? O que h\u00e1 de novo nesse fen\u00f4meno, que o diferencia das tradicionais mentiras e manipula\u00e7\u00f5es pol\u00edticas?<\/p>\n<p>Esse termo pol\u00eamico possui sentidos t\u00e3o diferentes que chegam at\u00e9 a se contradizer. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1080\/21670811.2017.1360143\">Pesquisadores de Singapura<\/a> encontraram v\u00e1rias defini\u00e7\u00f5es diferentes em estudos cient\u00edficos sobre \u201cfake news\u201d nos \u00faltimos anos, que inclu\u00edam at\u00e9 an\u00e1lises sobre piadas que usavam o formato de telejornais para fazer humor.<\/p>\n<p>Muita gente pode achar que qualquer informa\u00e7\u00e3o falsa seja \u201cfake news\u201d. Mas, para esse sentido bastante amplo da express\u00e3o, parece estranho inventar um termo novo para descrever algo que h\u00e1 muito tempo j\u00e1 cabe em uma palavra s\u00f3: \u201cmentira\u201d.<\/p>\n<p>Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio prestar um pouco mais de aten\u00e7\u00e3o no que h\u00e1 de novo nas \u201cfake news\u201d, para n\u00e3o confundir esse fen\u00f4meno recente com seus parentes mais antigos, como os boatos ou o sensacionalismo. Evidentemente, eles apresentam origens comuns e muitas semelhan\u00e7as, mas as diferen\u00e7as s\u00e3o ineg\u00e1veis.<\/p>\n<p>Para isso, vamos voltar para o ano de 2016, quando a express\u00e3o \u201cfake news\u201d passou a ser difundida. Foi o ano em que, durante a elei\u00e7\u00e3o presidencial nos Estados Unidos, muitos eleitores compartilhavam informa\u00e7\u00f5es completamente absurdas, tiradas de sites falsos, mas que favoreciam seu candidato ou criticavam opositores.<\/p>\n<p>A imprensa internacional passou a usar o termo \u201cfake news\u201d para denunciar sites que tentavam se disfar\u00e7ar de conte\u00fados jornal\u00edsticos, mas n\u00e3o seguiam as normas \u00e9ticas e legais, divulgando informa\u00e7\u00f5es sem comprova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1257\/jep.31.2.211\">Economistas norte-americanos<\/a> que pesquisaram a elei\u00e7\u00e3o de 2016 identificaram sites desconhecidos que publicavam informa\u00e7\u00f5es incorretas, mas que, de repente, conquistavam um enorme p\u00fablico vindo de redes sociais ou de ferramentas de pesquisa online. Assim, eles definiram \u201cfake news\u201d como informa\u00e7\u00f5es comprovadamente falsas que viralizavam online, simulando o formato jornal\u00edstico para enganar o p\u00fablico.<\/p>\n<p>Essa defini\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais precisa, porque trata de um fen\u00f4meno realmente novo: mentira sempre existiu, mas a novidade agora \u00e9 a capacidade de propaga\u00e7\u00e3o acelerada por redes sociais digitais. Essas plataformas como Facebook, Twitter e WhatsApp foram criadas h\u00e1 pouco mais de uma d\u00e9cada, e parecem ter atingido agora uma massa cr\u00edtica, sendo tomadas por propagadores de mentiras em escala industrial.<\/p>\n<p>Outra novidade \u00e9 a simula\u00e7\u00e3o de fontes com credibilidade. Depois do formato jornal\u00edstico, tamb\u00e9m tivemos conte\u00fados simulando declara\u00e7\u00f5es de m\u00e9dicos, cientistas e representantes de movimentos sociais. Com isso, impostores tentam se aproveitar da credibilidade dessas categorias para enganar, e fica dif\u00edcil verificar de onde essas informa\u00e7\u00f5es vieram depois de serem repassadas milhares de vezes nas redes sociais.<\/p>\n<p>Essa defini\u00e7\u00e3o bastante precisa tamb\u00e9m ajuda a entender o que n\u00e3o \u00e9 fake news. Erros da imprensa ou apelos sensacionalistas n\u00e3o s\u00e3o um problema novo. Para isso j\u00e1 existem solu\u00e7\u00f5es, como as leis que punem por cal\u00fania, difama\u00e7\u00e3o ou invas\u00e3o de privacidade. A grande diferen\u00e7a \u00e9 que, por tr\u00e1s da imprensa, temos institui\u00e7\u00f5es e profissionais que podem ser responsabilizados pela informa\u00e7\u00e3o que circula. As fake news, pelo contr\u00e1rio, n\u00e3o deixam claro quem \u00e9 seu respons\u00e1vel, e por isso demandam uma solu\u00e7\u00e3o diferente.<\/p>\n<p>A confus\u00e3o de fake news com o jornalismo profissional acaba sendo bastante conveniente para pol\u00edticos que procuram desacreditar cr\u00edticas e den\u00fancias como se fossem not\u00edcias falsas. Assim, tentam fazer com que o p\u00fablico n\u00e3o confie nas investiga\u00e7\u00f5es ou posicionamentos que circulam pela m\u00eddia, ignorando os documentos e testemunhos que os provam. \u00c9 preciso cautela para n\u00e3o ser enganado, e para isso \u00e9 importante verificar as fontes das informa\u00e7\u00f5es que garantem que o que \u00e9 publicado \u00e9 realmente verdade.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dicas pr\u00e1ticas<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Para n\u00e3o ser enganado por fake news, preste aten\u00e7\u00e3o de onde as informa\u00e7\u00f5es vieram: \u00e9 um site em que voc\u00ea confia? O autor est\u00e1 identificado de forma clara, garantindo que algu\u00e9m se responsabiliza se algo estiver incorreto? As informa\u00e7\u00f5es e dados citados apresentam fontes que podem ser verificadas? Se a resposta for n\u00e3o, desconfie.<\/li>\n<li>Se encontrar uma informa\u00e7\u00e3o incorreta, aponte o erro e recomende corre\u00e7\u00e3o. Ve\u00edculos jornal\u00edsticos t\u00eam canais para contato do p\u00fablico e est\u00e3o preocupados em apresentar a melhor informa\u00e7\u00e3o poss\u00edvel. Por isso, publicam corre\u00e7\u00f5es claras, se necess\u00e1rio. Se for um familiar, amigo ou colega que divulgou a informa\u00e7\u00e3o falsa, vale alertar, sem ofender publicamente, indicando fontes com corre\u00e7\u00f5es. Desconfie de quem n\u00e3o admite erros: pode ser um sinal de que n\u00e3o se preocupam com a qualidade dos fatos difundidos.<\/li>\n<li>Informa\u00e7\u00f5es verdadeiras, publicadas no passado ou em outros lugares do mundo podem ser repassadas de forma descontextualizada, enganando quem acha que se tratam de fatos recentes e pr\u00f3ximos.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/lupa\">Ag\u00eancia Lupa<\/a>. Ag\u00eancia de checagem de fatos produzida por equipe de jornalistas profissionais, verificam informa\u00e7\u00f5es que circulam no debate p\u00fablico, provando quais s\u00e3o verdadeiras e quais s\u00e3o falsas. Tamb\u00e9m treinam novos checadores a partir de regras internacionais de verifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aosfatos.org\/fatima\">F\u00e1tima<\/a>. Desenvolvido pela ag\u00eancia de checagem Aos Fatos, essa conta automatizada no WhatsApp permite verificar informa\u00e7\u00f5es e receber notifica\u00e7\u00f5es com boatos que j\u00e1 foram provados como falsos pelos jornalistas de sua equipe. Al\u00e9m do site acima, o rob\u00f4 tamb\u00e9m pode ser acessado pelo WhatsApp no n\u00famero (21) 99747-2441.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Cap\u00edtulo 10 &#8211; O lucrativo mercado das fake news&#8221; tab_id=&#8221;1606157880610-6470f049-1167&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<div style=\"width: 100%; padding: 20px; height: auto; background: #f4f4f4; margin-bottom: 20px;\">\n<p><em>Rodrigo Ratier<\/em><\/p>\n<p><strong>Resumo em 5 pontos<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">1- Not\u00edcias falsas costumam ter tr\u00eas tipos de motiva\u00e7\u00e3o: pol\u00edtica (prejudicar um advers\u00e1rio), disrup\u00e7\u00e3o social (causar confus\u00e3o) ou econ\u00f4mica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">2- Elas se tornaram um neg\u00f3cio lucrativo mesmo para pequenos sites com o surgimento da publicidade program\u00e1tica. \u00c9 um servi\u00e7o oferecido por gigantes da tecnologia a anunciantes que desejem se comunicar com um p\u00fablico-alvo espec\u00edfico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">3- Sites de fake news abrem espa\u00e7o para banners (an\u00fancios digitais) e, como o servi\u00e7o de compra e venda \u00e9 automatizado, o an\u00fancio \u00e9 exibido.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">4- Cada exibi\u00e7\u00e3o rende d\u00e9cimos de centavos para o site. Mas, se a audi\u00eancia for muito grande, a grana costuma compensar. \u00c9 nisso que apostam os produtores de not\u00edcias falsas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">5- Muitas empresas nem sabem que seus produtos est\u00e3o nesses sites. Para expor essa situa\u00e7\u00e3o, a\u00e7\u00f5es como o Sleeping Giants mant\u00eam perfis na internet para asfixiar as fontes de rende de quem lucra com desinforma\u00e7\u00e3o e discurso de \u00f3dio.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p style=\"width: 600px !important; height: 400px !important;\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WkH-SwhrtxI?controls=0\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>Que as not\u00edcias falsas possuem uma motiva\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, voc\u00ea j\u00e1 sabe. Na disputa pelo poder, muitas vezes as fake news s\u00e3o usadas para demonizar os advers\u00e1rios, atribuindo a eles um vasto arsenal de caracter\u00edsticas negativas.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Que as not\u00edcias falsas possuem uma motiva\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, voc\u00ea j\u00e1 sabe. Na disputa pelo poder, muitas vezes as fake news s\u00e3o usadas para demonizar os advers\u00e1rios, atribuindo a eles um vasto arsenal de caracter\u00edsticas negativas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Que a desinforma\u00e7\u00e3o possui um car\u00e1ter de disrup\u00e7\u00e3o social, tamb\u00e9m \u00e9 evidente. Muitos grupos de jovens se re\u00fanem, quase sempre no submundo da internet (grupos fechados de WhatsApp e a chamada deep web, por exemplo), para inundar as redes sociais com mentiras, teorias da conspira\u00e7\u00e3o, v\u00eddeos e \u00e1udios fraudulentos. Fazem isso por uma rebeldia, um desejo pueril de, como se diz no popular, \u201cver o circo pegar fogo\u201d. Muitas vezes, conseguem\u2026<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Agora, que as fake news podem ser um grande neg\u00f3cio, n\u00e3o \u00e9 algo t\u00e3o evidente. Mas \u00e9 verdadeiro. Como \u00e9 que a divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es falsas ou enviesadas pode trazer dinheiro a que as divulga? \u00c9 o que n\u00f3s vamos explicar aqui.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Primeiro, vale falar um pouco sobre o mecanismo de financiamento dos sites da internet. H\u00e1 basicamente duas fontes de receita. Uma \u00e9 cobrar pelo conte\u00fado. Voc\u00ea pode fechar seu site apenas para assinantes, por exemplo. \u00c9 o chamado paywall (\u201cmuro de pagamentos\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o livre), mecanismo a que muitos grupos da m\u00eddia tradicional t\u00eam recorrido.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas essa n\u00e3o \u00e9 a forma mais comum de monetiza\u00e7\u00e3o (palavra usada no mundo digital para nomear as formas de obten\u00e7\u00e3o de receitas com conte\u00fado). Na maioria das vezes, os donos de site lucram com o dinheiro que vem da publicidade. Atualmente, isso \u00e9 algo que est\u00e1 ao alcance de qualquer um que deseje expor seu conte\u00fado na internet.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sabe aqueles espa\u00e7os com an\u00fancios antes, durante e depois dos textos e v\u00eddeos do mundo digital. Pois ent\u00e3o: esses s\u00e3o os chamados <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">banners<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, esp\u00e9cies de outdoors em que os anunciantes podem exibir seus produtos para \u201cfisgar\u201d o leitor que est\u00e1 lendo uma determinada reportagem.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Anteriormente, cada dono de site precisava negociar seus <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">banners<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> diretamente com os anunciantes. A\u00ed, era muito mais dif\u00edcil conseguir dinheiro, sobretudo para quem era peixe pequeno, propriet\u00e1rio de um site independente, de um blog etc.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas tudo mudou com a chegada da publicidade program\u00e1tica. \u00c9 uma revolu\u00e7\u00e3o: gigantes da tecnologia, como o Google ou o Facebook, passam a gerenciar a coloca\u00e7\u00e3o de banners nos sites e nas redes sociais. Eles atuam como intermedi\u00e1rios entre os anunciantes e os produtores de conte\u00fado. E claro, recebem uma boa porcentagem por essa intermedia\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quem quer anunciar informa \u00e0s plataformas o p\u00fablico-alvo que deseja atingir: g\u00eanero, faixa et\u00e1ria, interesses, h\u00e1bitos de compra, comportamentos (por exemplo, pessoas que entram em sites de esportes pela manh\u00e3), dispositivo (acesso por laptop ou smartphone, por exemplo).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Voc\u00ea pode se perguntar como a tal plataforma sabe tanta coisa sobre voc\u00ea. Simples: quando navegamos pela internet, vamos deixando \u201cpistas\u201d sobre nossos h\u00e1bitos de navega\u00e7\u00e3o. Por exemplo: nosso navegador troca pacotes de dados com os sites que acabam servindo para identificar e armazenar informa\u00e7\u00f5es sobre n\u00f3s.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Hoje, uma grande gama de dados pode ser armazenado. O resultado \u00e9 que as plataformas de publicidade t\u00eam uma \u201cficha corrida\u201d nossa.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os sites e blogs que querem anunciar, por sua vez, contatam as mesmas plataformas de publicidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eles firmam um acordo para \u201cabrir\u201d espa\u00e7o para an\u00fancios nas p\u00e1ginas de conte\u00fado. S\u00e3o diversos tipos: banners (os cartazes virtuais), links relacionados, pop ups etc. Esses espa\u00e7os ficam \u201clivres\u201d \u00e0 espera do melhor an\u00fancio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando voc\u00ea entra em um site com publicidade, o que voc\u00ea vai ver \u00e9 justamente o an\u00fancio que tem a ver com as suas caracter\u00edsticas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Voc\u00ea pode imaginar como o site \u201cadivinhou\u201d que voc\u00ea estava procurando uma chuteira de futebol. N\u00e3o \u00e9 magia, \u00e9 tecnologia: as pistas da sua navega\u00e7\u00e3o indicam que voc\u00ea tem interesse nesse produto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas, como esse processo \u00e9 automatizado, \u00e0s vezes alguma coisa d\u00e1 errado &#8212; e os an\u00fancios v\u00e3o parar em sites de desinforma\u00e7\u00e3o ou de discurso de \u00f3dio!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Isso acontece porque os sistemas de m\u00eddia program\u00e1tica n\u00e3o olham para o conte\u00fado das p\u00e1ginas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tudo isso \u00e9 bonito na teoria. Na pr\u00e1tica, voc\u00ea j\u00e1 deve imaginar o que acontece: diversos sites de fake news recebem an\u00fancios de empresas que muitas vezes nem sabem que est\u00e3o aparecendo por l\u00e1!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Claro que cada visualiza\u00e7\u00e3o de banner rende muito pouco para o dono do site. Mas, se voc\u00ea conseguir uma audi\u00eancia de centenas de milhares ou milh\u00f5es de pessoas, a coisa muda de figura: j\u00e1 d\u00e1 para conseguir um bom dinheiro com an\u00fancios via publicidade program\u00e1tica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 por isso que sites de not\u00edcias falsas investem em chamadas exageradas, escandalosas, alarmistas: o choque \u00e9 uma forma de atrair audi\u00eancia, resultando em muitas exibi\u00e7\u00f5es de banners e, por consequ\u00eancia, uma grana forte na conta\u2026<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para complicar ainda mais as coisas, h\u00e1 empresas id\u00f4neas que acabam tendo seus an\u00fancios veiculados em sites com conte\u00fado t\u00f3xico sem saber (a plataforma que intermedeia o contato s\u00f3 quer saber do p\u00fablico-alvo do site, n\u00e3o da qualidade da informa\u00e7\u00e3o).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na esteira dessa confus\u00e3o, surgem movimentos como o Sleeping Giants. S\u00e3o perfis na internet que avisam \u00e0s marcas que o conte\u00fado delas est\u00e1 financiando sites de fake news e desinforma\u00e7\u00e3o. O objetivo dessas a\u00e7\u00f5es \u00e9 expor os anunciantes diante da opini\u00e3o p\u00fablica, fazendo com que eles tirem sua publicidade do ar, asfixiando a fonte de renda de quem quer lucrar com not\u00edcias falsas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O Stop Hate for Profit comandou um boicote aos an\u00fancios no Facebook para pressionar a rede social a tirar do ar sites que incentivam o racismo, a viol\u00eancia e o \u00f3dio. J\u00e1 o Sleeping Giants est\u00e1 presente em v\u00e1rios pa\u00edses do mundo. Nos Estados Unidos, uma a\u00e7\u00e3o bloqueou banners de mais de 4 mil empresas no site Breitbart, um dos mais conhecidos da extrema-direita norte-americana, not\u00f3rio pelo uso de desinforma\u00e7\u00e3o. O perfil chegou ao Brasil em maio de 2020. A jornalista M\u00f4nica Bergamo mostrou que ele \u00e9 comandado por um casal de 22 anos do Paran\u00e1. &#8220;At\u00e9 hoje, eles calculam ter retirado de tr\u00eas sites de not\u00edcias e dois canais o equivalente a R$ 1,5 milh\u00e3o. Segundo eles, 700 empresas j\u00e1 seguiram seus alertas e retiraram os an\u00fancios de sites duvidosos. O SGB tem 410 mil seguidores no Twitter e 170 mil no Instagram&#8221;, informa a reportagem. A revela\u00e7\u00e3o foi recebida com incredulidade pela extrema-direta e <\/span><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/monicabergamo\/2020\/12\/revelacao-de-fundadores-do-sleeping-giants-causa-negacionismo-e-ameacas.shtml\"><span style=\"font-weight: 400;\">amea\u00e7as de morte<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong>Dicas pr\u00e1ticas<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A motiva\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica para as fake news \u00e9 a menos conhecida da popula\u00e7\u00e3o em geral. Vale alertar pessoas pr\u00f3ximas sobre essa forma de manipula\u00e7\u00e3o. Um ind\u00edcio comum costumam ser os sites lotados de banners. Quando isso ocorre, vale redobrar a aten\u00e7\u00e3o, pois pode ser um produtor de not\u00edcias falsas.<\/span><\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A atua\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 para denunciar quem fatura com conte\u00fado t\u00f3xico \u00e9 importante. Em postagens nas suas redes sociais, voc\u00ea pode marcar o perfil das empresas que t\u00eam an\u00fancios exibidos em sites suspeitos. \u00c9 uma forma de pression\u00e1-las a retirar a publicidade.<\/span><\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Outra forma de a\u00e7\u00e3o \u00e9 enviar as den\u00fancias para as a\u00e7\u00f5es militantes coletivas. Voc\u00ea pode comunicar anunciantes que aparecem em sites ligados \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o ao perfil do <\/span><a href=\"https:\/\/twitter.com\/slpng_giants_pt\"><span style=\"font-weight: 400;\">Sleeping Giants Brasil<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> no Twitter.<br \/>\n<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em caso de insist\u00eancia, \u00e9 poss\u00edvel, ainda apoiar a\u00e7\u00f5es de boicote \u00e0s marcas. \u00c9 algo que tem se tornado cada vez mais comum quando os anunciantes insistem em financiar fake news.\u00a0 <\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O que leva um grupo de jovens na Maced\u00f4nia a produzir conte\u00fado falso sobre as elei\u00e7\u00f5es norte-americanas? Voc\u00ea adivinhou: a expectativa de ganhar dinheiro. <\/span><a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/vert-fut-48832474\"><span style=\"font-weight: 400;\">Esta reportagem da BBC<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> mostra como uma a\u00e7\u00e3o de adolescentes no meio da Europa causou a maior confus\u00e3o nas corrida presidencial de 2016 nos EUA &#8212; e rendeu uma boa grana a seus produtores\u2026<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O fen\u00f4meno, claro, chegou ao Brasil. Em 2017, <\/span><a href=\"https:\/\/sr.gdprvalidate.de\/redir\/clickGate.php?u=8otB939m&amp;m=12&amp;p=3b121G4eNI&amp;t=33&amp;splash=0&amp;s=&amp;url=http%3A%2F%2Fwww1.folha.uol.com.br%2Filustrissima%2F2017%2F02%2F1859808-como-funciona-a-engrenagem-das-noticias-falsas-no-brasil.shtml\"><span style=\"font-weight: 400;\">a Folha de S. Paulo conversou com um criador de sites de fake news<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> que, al\u00e9m de lucrar com a publicidade, produzia not\u00edcias a pedido do pol\u00edtico que pagasse melhor.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os Sleeping Giants conseguiram vit\u00f3rias relevantes para minar a fonte de renda de produtores de discurso do \u00f3dio e desinforma\u00e7\u00e3o. Sua a\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 simples, por isso muitas vezes \u00e9 necess\u00e1rio o anonimato. <\/span><a href=\"https:\/\/sr.gdprvalidate.de\/redir\/clickGate.php?u=8otB939m&amp;m=12&amp;p=3b121G4eNI&amp;t=33&amp;splash=0&amp;s=&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.uol.com.br%2Ftilt%2Fnoticias%2Fredacao%2F2020%2F05%2F23%2Fcansado-de-ver-noticias-falsas-ganharem-diz-criador-sleeping-giants-brasil.htm\"><span style=\"font-weight: 400;\">A reportagem do Tilt<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, do portal UOL, detalha como se deu o surgimento da vers\u00e3o brasileira do movimento.<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">*Este cap\u00edtulo usa, em parte, adapta\u00e7\u00e3o do texto \u201cA sociedade se mexe? Sleeping Giants e o poder do desfinanciamento\u201d, do curso online <\/span><\/i><a href=\"https:\/\/vazafalsiane.com\/\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Vaza, Falsiane<\/span><\/i><\/a><i><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/i>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Cap\u00edtulo 11 &#8211; Fake news, pol\u00edtica e elei\u00e7\u00f5es&#8221; tab_id=&#8221;1606159515657-8a435caf-a7e4&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<div style=\"width: 100%; padding: 20px; height: auto; background: #f4f4f4; margin-bottom: 20px;\">\n<p><em>Ivan Paganotti<\/em><\/p>\n<p><strong>Resumo em 5 pontos<\/strong><\/p>\n<p>1- A ascens\u00e3o recente das fake news est\u00e1 diretamente relacionada com a pol\u00edtica: em 2016, conte\u00fados falsos tratavam de vota\u00e7\u00f5es nos EUA, Reino Unido e Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>2- As not\u00edcias falsas n\u00e3o s\u00e3o as \u00fanicas respons\u00e1veis pelos resultados eleitorais. O voto \u00e9 um processo complexo, e diversos fatores influenciam a din\u00e2mica das elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>3- H\u00e1 um c\u00edrculo vicioso entre a maior polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nos extremos ideol\u00f3gicos e o cen\u00e1rio de desinforma\u00e7\u00e3o e descr\u00e9dito de fontes de informa\u00e7\u00e3o tradicionais.<\/p>\n<p>4- Dentro da estrat\u00e9gia pol\u00edtica de mobiliza\u00e7\u00e3o, as not\u00edcias falsas s\u00e3o uma t\u00e1tica nova, que envolve o p\u00fablico como propagador de informa\u00e7\u00f5es falsas para al\u00e9m do per\u00edodo eleitoral restrito.<\/p>\n<p>5- L\u00edderes autorit\u00e1rios e populistas aproveitam a desconfian\u00e7a generalizada do p\u00fablico para enfraquecer institui\u00e7\u00f5es como a m\u00eddia, o que fortalece regimes personalistas e centralizadores.<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"width: 600px !important; height: 400px !important;\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZYZmhsnx8sI?controls=0\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>Desde 2016, sempre que algo parecia n\u00e3o se encaixar nas expectativas, na pol\u00edtica internacional, era f\u00e1cil de apontar o dedo para a suspeita de sempre: fake news. Das elei\u00e7\u00f5es de Donald Trump nos EUA at\u00e9 Jair Bolsonaro no Brasil, era dif\u00edcil encontrar uma explica\u00e7\u00e3o que n\u00e3o envolvesse a manipula\u00e7\u00e3o de eleitores que compartilhavam informa\u00e7\u00f5es desconectadas da realidade. Mas vale questionar: fake news vencem elei\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>Como vimos anteriormente, a preocupa\u00e7\u00e3o com as not\u00edcias falsas nas redes sociais se tornou mais evidente na s\u00e9rie de vota\u00e7\u00f5es surpreendentes que aconteceram em 2016.<\/p>\n<p>Nos EUA, Donald Trump contrariou as pesquisas de opini\u00e3o e foi eleito pelo col\u00e9gio eleitoral ao conquistar alguns estados disputados, mesmo sem ter a maioria dos votos no pa\u00eds inteiro. No Reino Unido, um disputado referendo popular decidiu que o pa\u00eds deveria deixar a Uni\u00e3o Europeia. Na Col\u00f4mbia, ap\u00f3s anos de negocia\u00e7\u00e3o, o acordo de paz do governo com as Farc (For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia) acabou inesperadamente rejeitado em um apertado plebiscito.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos resultados surpreendentes e disputados, essas vota\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m foram acompanhadas por uma quantidade enorme de informa\u00e7\u00f5es falsas circulando por redes sociais. Absurdos como o apoio do papa Francisco a Donald Trump (negado pelo pr\u00f3prio l\u00edder cat\u00f3lico) foram compartilhados sem senso cr\u00edtico por muitos.<\/p>\n<p>Da\u00ed surgiu o medo de que os eleitores estivessem baseando seus votos nas informa\u00e7\u00f5es incorretas que eram compartilhadas online. Se um n\u00famero grande o suficiente de pessoas fosse enganado pelas fake news, as elei\u00e7\u00f5es poderiam ser manipuladas.<\/p>\n<p>Mas uma <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1257\/jep.31.2.211\">dupla de economistas norte-americanos<\/a> tentou verificar essa hip\u00f3tese, e chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que o n\u00famero de pessoas que teve contato com informa\u00e7\u00f5es falsas (e foi enganado por elas) n\u00e3o seria grande o suficiente para influenciar o resultado final, mesmo em elei\u00e7\u00e3o apertada como a dos EUA em 2016.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos ignorar, tamb\u00e9m, que a escolha de candidatos em uma elei\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo bastante complexo, que envolve identifica\u00e7\u00f5es e outros processos bastante subjetivos, nem sempre conscientes para o pr\u00f3prio eleitor. \u00c9 muito dif\u00edcil de provar que uma elei\u00e7\u00e3o foi vencida ou perdida por um fator isolado.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o quer dizer que devemos minimizar os efeitos pol\u00edticos das not\u00edcias falsas. Elas podem n\u00e3o conseguir mudar votos, mas conseguem mobilizar eleitores que j\u00e1 tem sua filia\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria definida. Munidos de argumentos baseados em informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o comprovadas, esses eleitores sentem-se energizados e motivados para ajudar a defender ou atacar candidatos.<\/p>\n<p>A polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica s\u00f3 complica esse cen\u00e1rio. <a href=\"https:\/\/sur.conectas.org\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/sur-27-portugues-marcio-moretto-ribeiro-pablo-ortellado.pdf\">Pesquisadores da USP<\/a> identificaram que, nos \u00faltimos anos, usu\u00e1rios de redes sociais passaram a apresentar posi\u00e7\u00f5es cada vez mais radicais, diminuindo as pontes entre os extremos. Mesmo as fontes de informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o mais compartilhadas: quem est\u00e1 de um lado ignora e s\u00f3 se distancia de quem est\u00e1 do outro.<\/p>\n<p>Essa polariza\u00e7\u00e3o \u00e9 levada em conta pelos produtores de fake news. As mentiras se encaixam perfeitamente nos preconceitos de segmentos espec\u00edficos do p\u00fablico. Elas evitam que os leitores reflitam criticamente e desconfiem que est\u00e3o sendo enganados, explorando rea\u00e7\u00f5es emocionais diretas, como \u00f3dio ou medo, o que cria ainda mais distanciamento de opositores e radicaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as fake news n\u00e3o se encaixam somente no momento espec\u00edfico das elei\u00e7\u00f5es. Grupos em redes sociais ou em aplicativos de mensagens disseminam informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o verificadas de forma cont\u00ednua, como se a campanha pol\u00edtica n\u00e3o se limitasse \u00e0s elei\u00e7\u00f5es a cada dois anos, em uma mobiliza\u00e7\u00e3o cont\u00ednua.<\/p>\n<p>Por fim, <a href=\"https:\/\/www.dw.com\/en\/fake-news-is-a-red-herring\/a-37269377\">pesquisador do MIT<\/a> aponta um efeito pol\u00edtico ainda mais duradouro e perigoso das not\u00edcias falsas. Um cen\u00e1rio de desconfian\u00e7a generalizada, com cidad\u00e3os perdidos e confusos, \u00e9 um prato cheio para lideran\u00e7as autorit\u00e1rias.<\/p>\n<p>Pol\u00edticos populistas procuram construir la\u00e7os diretos com seus seguidores, apresentando-se como os representantes verdadeiros do povo. Em pa\u00edses como R\u00fassia e Turquia, l\u00edderes autorit\u00e1rios exploram a desconfian\u00e7a do p\u00fablico em rela\u00e7\u00e3o ao que circula no notici\u00e1rio, diminuindo o poder de vigil\u00e2ncia de parte cr\u00edtica da m\u00eddia.<\/p>\n<p>N\u00e3o devemos subestimar o impacto pol\u00edtico das fake news. E tamb\u00e9m n\u00e3o podemos ignorar a responsabilidade de quem propaga informa\u00e7\u00f5es falsas ou se beneficia da confus\u00e3o resultante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Dicas pr\u00e1ticas<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Conhe\u00e7a a linha editorial dos ve\u00edculos da m\u00eddia que acompanha. Editoriais permitem voc\u00ea identificar o alinhamento pol\u00edtico, avaliando como isso pode influenciar a cobertura noticiosa desses sites.<\/li>\n<li>Para evitar ser v\u00edtima da polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica online, voc\u00ea pode procurar ve\u00edculos e perspectivas diferentes, para \u201cfurar\u201d sua bolha. A ideia \u00e9 ler n\u00e3o somente quem concorda com voc\u00ea, mas sim quem traz informa\u00e7\u00e3o bem apurada e que pode ser verificada, mesmo se vier de posi\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas distantes.<\/li>\n<li>Ao encontrar um conte\u00fado que critica ideias ou representantes pol\u00edticos de quem voc\u00ea discorda, tome cuidado antes de compartilhar. Verifique se a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 verdadeira, porque muitas fake news s\u00e3o propagadas ao explorar rea\u00e7\u00f5es emotivas como o \u00f3dio contra opositores.<\/li>\n<li>Da mesma forma, tome cuidado antes de difundir conte\u00fados pol\u00edticos a favor de quem voc\u00ea admira ou com quem voc\u00ea concorda. Existem muitas fake news \u201cfavor\u00e1veis\u201d, e o tiro vai sair pela culatra quando descobrirem que os elogios n\u00e3o tinham embasamento.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.justicaeleitoral.jus.br\/desinformacao\">TSE e a desinforma\u00e7\u00e3o<\/a>. Para combater as mentiras que tratam das elei\u00e7\u00f5es, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desenvolve o Programa de Enfrentamento \u00e0 Desinforma\u00e7\u00e3o com Foco nas Elei\u00e7\u00f5es, com campanhas, corre\u00e7\u00f5es e esclarecimentos para o p\u00fablico.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.justicaeleitoral.jus.br\/fato-ou-boato\">Fato ou Boato<\/a>. Plataforma com coaliz\u00e3o de checagem de fatos difundida pelo TSE, tamb\u00e9m faz parte do Programa de Enfrentamento \u00e0 Desinforma\u00e7\u00e3o desse tribunal. Re\u00fane verifica\u00e7\u00f5es, checagens e refuta\u00e7\u00f5es publicadas por diferentes ve\u00edculos da m\u00eddia que tratam das elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/projetocomprova.com.br\">Projeto Comprova<\/a>. Iniciativa de jornalismo colaborativo criada nas elei\u00e7\u00f5es de 2018, unindo quase trinta ve\u00edculos jornal\u00edsticos diferentes, publicando verifica\u00e7\u00f5es de temas diversos. Em 2020, publicou novas checagens para as elei\u00e7\u00f5es municipais.[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Cap\u00edtulo 12 &#8211; O que \u00e9 discurso de \u00f3dio&#8221; tab_id=&#8221;1606159815213-cb36c016-e0ab&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<div style=\"width: 100%; padding: 20px; height: auto; background: #f4f4f4; margin-bottom: 20px;\">\n<p><em>Ivan Paganotti<\/em><\/p>\n<p><strong>Resumo em 5 pontos<\/strong><\/p>\n<p>1- O discurso de \u00f3dio ofende, ataca e amea\u00e7a indiv\u00edduos que s\u00e3o discriminados por serem parte de certos grupos sociais.<\/p>\n<p>2- Ao incitar viol\u00eancia, restringir direitos e ofender, essas mensagens s\u00e3o um risco para grupos sociais discriminados.<\/p>\n<p>3- Por isso, diversos pa\u00edses pro\u00edbem o discurso de \u00f3dio e determinam puni\u00e7\u00f5es para impedir ou dissuadir essa pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>4- N\u00e3o devemos confundir o discurso motivado por \u00f3dio ou desprezo (que parte de uma emo\u00e7\u00e3o de desgosto) com o discurso de \u00f3dio (categoria mais problem\u00e1tica por envolver discrimina\u00e7\u00e3o e amea\u00e7as).<\/p>\n<p>5- No Brasil, diversas facetas do discurso de \u00f3dio s\u00e3o criminalizadas, como a discrimina\u00e7\u00e3o e a inj\u00faria, assim como a amea\u00e7a e a incita\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia.<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"width: 600px !important; height: 400px !important;\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/K-hpka3Duq0?controls=0\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>A liberdade de express\u00e3o permitida pela internet pode parecer ilimitada, mas \u00e9 necess\u00e1rio reconhecer alguns limites quando tratamos de express\u00f5es discriminat\u00f3rias, ofensas e amea\u00e7as.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o chamado \u201cdiscurso de \u00f3dio\u201d. Alguns dos momentos mais horr\u00edveis da nossa hist\u00f3ria foram precedidos e justificados por esse tipo de fala. Do nazismo europeu ao genoc\u00eddio em Ruanda, as piores atrocidades foram cometidas por quem defendia a segrega\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos simplesmente por suas caracter\u00edsticas pessoais ou pelo pertencimento a grupos estigmatizados, ignorando seus direitos e at\u00e9 incentivando que fossem alvo de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Alguns grupos particulares s\u00e3o historicamente alvo de persegui\u00e7\u00e3o sistematizada devido \u00e0 sua filia\u00e7\u00e3o \u00e9tnica ou religiosa, por exemplo. Para proteg\u00ea-los, pa\u00edses como o Brasil criminalizam mensagens discriminat\u00f3rias, pois reconhecem que pr\u00e1ticas extremas do discurso de \u00f3dio podem ser o ponto de partida para segrega\u00e7\u00e3o e amea\u00e7as.<\/p>\n<p>Ofensas raciais, por exemplo, s\u00e3o criminalizadas e podem levar \u00e0 multa e pris\u00e3o. Amea\u00e7ar ou incitar ataques tamb\u00e9m s\u00e3o crimes que podem ser punidos, mesmo que a viol\u00eancia acabe n\u00e3o se concretizando, porque o dano j\u00e1 ocorre somente pelo medo que as v\u00edtimas podem sofrer.<\/p>\n<p>Os limites entre quais comportamentos s\u00e3o enquadrados como discurso de \u00f3dio variam de pa\u00eds para pa\u00eds. A <a href=\"https:\/\/www.un.org\/en\/genocideprevention\/documents\/advising-and-mobilizing\/Action_plan_on_hate_speech_EN.pdf\">ONU<\/a> destaca que n\u00e3o existe uma defini\u00e7\u00e3o \u00fanica sobre discurso de \u00f3dio no direito internacional, mas classifica esse tipo de conduta como \u201cqualquer comunica\u00e7\u00e3o por fala, escrita ou comportamento que ataque ou use linguagem pejorativa ou discriminat\u00f3ria com refer\u00eancia a uma pessoa ou um grupo com base em quem s\u00e3o, ou seja, sua religi\u00e3o, etnia, nacionalidade, ra\u00e7a, cor, descend\u00eancia, g\u00eanero ou outro elemento de identidade\u201d.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria ONU complementa que, de modo geral, o que \u00e9 proibido n\u00e3o \u00e9 o discurso de \u00f3dio em si, mas sim a incita\u00e7\u00e3o \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o, hostilidade e viol\u00eancia. Ou seja, a fala em si ser ofensiva n\u00e3o \u00e9 o maior problema. Em alguns pa\u00edses como nos EUA, isso pode nem ser proibido, mesmo que ofenda. O mais grave \u00e9 quando as palavras de \u00f3dio induzem a\u00e7\u00f5es que podem segregar, amea\u00e7ar ou causar danos concretos.<\/p>\n<p>Isso ajuda a esclarecer o que n\u00e3o \u00e9 discurso de \u00f3dio. N\u00e3o devemos confundir a emo\u00e7\u00e3o que sentimos com a forma como expressamos esse sentimento. Evidentemente, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma proibi\u00e7\u00e3o que nos impe\u00e7a de n\u00e3o gostar de uma pessoa especificamente. Podemos inclusive expressar esse sentimento, apontando que estamos enfurecidos, desprezamos ou at\u00e9 que odiamos essa pessoa.<\/p>\n<p>O problema come\u00e7a se expressamos desprezo por uma categoria geral de pessoas devido \u00e0s suas pr\u00f3prias caracter\u00edsticas de pertencimento a esse grupo. Por exemplos, se odiamos ou desprezamos pessoas de um grupo \u00e9tnico, ou de uma religi\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse comportamento pode se tornar ainda mais grave se for negado o acesso de pessoas desses grupos a seus direitos: nesse caso, s\u00e3o casos bastante claros de discrimina\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m \u00e9 crime enviar ou publicar amea\u00e7as, ou incentivar outras pessoas a agirem de forma violenta contra grupos de pessoas.<\/p>\n<p>Todas essas categorias podem ser inclu\u00eddas como discurso de \u00f3dio. Mais uma vez vale deixar claro: o crime n\u00e3o \u00e9 o sentimento do \u00f3dio. Nossas emo\u00e7\u00f5es, como tudo que pertencem \u00e0 nossa livre consci\u00eancia, est\u00e1 fora do alcance da lei. O problema \u00e9 se a express\u00e3o desse desprezo afeta a vida de pessoas que podem ser ofendidas, discriminadas, amea\u00e7adas ou at\u00e9 ser v\u00edtimas de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Para podermos nos comunicar de forma verdadeiramente inclusiva, temos que tomar cuidado para garantir que os meios de comunica\u00e7\u00e3o sejam seguros, principalmente para grupos minorit\u00e1rios. Isso envolve tomar cuidado com a dissemina\u00e7\u00e3o de discurso de \u00f3dio: precisamos que todos se sintam seguros, sem discrimina\u00e7\u00e3o, segrega\u00e7\u00e3o ou amea\u00e7as.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Dicas pr\u00e1ticas<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Tome cuidado com termos potencialmente ofensivos e discriminat\u00f3rios: muitos parecem ainda circular com bastante frequ\u00eancia nas conversas cotidianas, mas eles podem afetar negativamente pessoas pr\u00f3ximas de voc\u00ea.<\/li>\n<li>Incita\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia \u00e9 um crime, e voc\u00ea pode ser responsabilizado pelas a\u00e7\u00f5es que resultarem de suas palavras. Isso n\u00e3o isenta as outras pessoas que agiram de forma violenta, mas voc\u00ea pode ser punido se for provado que sua fala incentivou agress\u00f5es.<\/li>\n<li>Se voc\u00ea presenciar discurso de \u00f3dio, deve denunciar para autoridade policial. Se esse conte\u00fado foi difundido online, a <a href=\"https:\/\/new.safernet.org.br\/content\/delegacias-cibercrimes\">ONG Safernet<\/a> auxilia a coleta e direcionamento das den\u00fancias em diferentes estados.<\/li>\n<li>Plataformas de redes sociais tamb\u00e9m recebem alertas de usu\u00e1rios para remover conte\u00fado discriminat\u00f3rio e amea\u00e7as.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.internetlab.org.br\/pt\/projetos\/discurso-de-odio\">InternetLab<\/a>. Um centro de pesquisa sobre direito online, o InternetLab desenvolve estudos sobre a propaga\u00e7\u00e3o de discurso de \u00f3dio pela internet, suas consequ\u00eancias legais e propostas para resolver lacunas na sua regula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/new.safernet.org.br\">SaferNet<\/a>. Associa\u00e7\u00e3o que promove a seguran\u00e7a de usu\u00e1rios na internet. Auxilia a identificar comportamentos de risco, crimes online e aponta como denunciar abusos e amea\u00e7as.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.un.org\/en\/genocideprevention\/hate-speech-strategy.shtml\">Plano da ONU sobre Discurso de \u00d3dio<\/a>. Recomenda\u00e7\u00f5es apresentadas pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) para identificar e combater o discurso de \u00f3dio (documento em ingl\u00eas\/espanhol\/franc\u00eas).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.monitordigital.org\/notas-tecnicas\">Monitor do Debate Pol\u00edtico no Meio Digital<\/a>. Projeto do Grupo de Pol\u00edticas P\u00fablicas para o Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o (GPoPAI), da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), monitora grupos pol\u00edticos em redes sociais online, publica pesquisas sobre radicaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][\/vc_tta_accordion][vc_empty_space height=&#8221;50px&#8221; el_class=&#8221;sumircel&#8221;][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row full_width=&#8221;stretch_row&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1607706246655{background-position: center !important;background-repeat: no-repeat !important;background-size: cover !important;}&#8221; el_id=&#8221;c1&#8243;][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;40px&#8221; el_class=&#8221;sumircel&#8221;][vc_tta_accordion active_section=&#8221;0&#8243; collapsible_all=&#8221;true&#8221;][vc_tta_section title=&#8221;Cap\u00edtulo 9 &#8211; Fake news: o que s\u00e3o e o que n\u00e3o s\u00e3o?&#8221; tab_id=&#8221;1606157880528-43be14ca-14d8&#8243;][vc_column_text] Ivan Paganotti Resumo em 5 pontos 1- Nos \u00faltimos anos, ficou evidente que \u00e9 necess\u00e1rio tomar cuidado com a qualidade da informa\u00e7\u00e3o que circula pelas redes sociais. 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